É curioso como um conceito tão antigo consegue se manter atual. Mas isso ocorre com todas as boas idéias. O programa 5S é um belo exemplo disso: originado em 1950 no Japão, após uma viagem de estudos de Kaoru Ishikawa (o mesmo do Diagrama Espinha de Peixe) aos Estados Unidos, sua função era ajudar num período crítico, quando faltava tudo no Japão. Logo após a Segunda Guerra Mundial, desperdício era quase um crime. Acredita-se que Ishikawa estabeleceu então cinco passos para reorganizar de uma forma quase doméstica o caos reinante na indústria e na economia japonesa. Zero desperdício passou a ser a palavra de ordem. Essa característica de economia doméstica levou o programa a receber em inglês a denominação Housekeeping, que significa administração doméstica.
Somente no início da década de 90 é que o 5S chegou formalmente ao Brasil, e até hoje é considerado como uma base para a implantação de Sistemas de Gestão da Qualidade aqui e no mundo. 5S vem da denominação em japonês dos cinco passos (sensos), cujo som inicial é sempre “S”:
Em Japonês Em inglês ficou e em Português virou
- Seiri Sorting Seleção (Utilização, Arrumação)
- Seiton Systematizing Sistematização (Ordenação, Classificação)
- Seiso Sweeping Senso de Limpeza (Zelo, Manutenção)
- Seiketsu Sanitizing Saúde (Higiene, Asseio)
- Shitsuke Self-disciplining Senso de Auto-Disciplina (Educação)
Na aplicação de um programa 5S, o mais importante é cuidar para que cada um dos sensos seja completamente implementado, na ordem em que estão citados. A maior dificuldade encontrada é a resistência das pessoas às mudanças, mas os benefícios obtidos são um forte argumento para vencer essa resistência. Por isso é muito importante divulgar os benefícios que as pessoas terão com essa mudança. Os benefícios para a Empresa são apenas conseqüência.
Diversas empresas buscam implementar o 5S, algumas com excelentes resultados e outras não, sendo que a diferença entre um caso e outro geralmente se dá pela pressa em obter os resultados, o que causa uma má fixação de cada um dos conceitos. Outra causa comum é implementarem apenas os três primeiros sensos, deixando o melhor do programa de lado. A própria cultura japonesa dá a dica: A disciplina se conquista aos poucos.
Bem, hoje fala-se em 8S, 9S, até em 12S! Mas ao se observar mais de perto essas inovações do programa, percebe-se que são apenas uma fragmentação dos 5S originais e muitos especialistas não vêem com bons olhos essa burocratização do programa, que apesar de baseado em conceitos simples, tem uma implementação gradativamente mais complicada por que seu objetivo final é mudar não apenas o ambiente de trabalho, mas as pessoas.
Em algum lugar, que agora não me recordo, eu li o seguinte: “Conserte o homem e consertará o mundo.” Acho que no fundo, esse é o ambicioso objetivo final do 5S.
Leia também: O bom senso levado a sério II










1 Comentário
29 / Janeiro/ 2008 às 2:20 am
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Ronaldo Costa