Transcrevo aqui o comentário de uma leitora uruguaia, para citar pontos que têm sido muito questionados por e-mail. São os pontos 6.2.2 e 8.2.3 da nova ISO 9001:2008 que deve entrar em vigor a partir de Outubro.
Revisando la propuesta de texto me gustaria compartir sus opiniones acerca del alcance de la modificacion que aparece en 6.2.2 donde habla de verificar que se hayan logrado las competencias en lugar de verificar la eficacia de las acciones y en 8.2.3
6.2.2 – Competência, Conscientização e Treinamento.
Muitos responsáveis por RH têm dado ênfase ao total de horas de treinamento efetuadas, sem se preocupar com a real obtenção de resultados desses treinamentos. Temos aqui dois pontos chave: é sabido que treinamentos eficazes refletem na melhoria do treinando de alguma forma, logo, não é a quantidade de treinamentos que determina a melhoria da qualidade, mas a eficácia deles. Mas também devemos lembrar que nem todos as pessoas necessitam de treinamento num determinado momento, então a correção da alínea “b”, explicitando que treinamentos devem ser fornecidos onde aplicável permitirá que se concentre o foco onde há real necessidade. Outro ponto chave é a revisão da alínea “d”, substituindo “avaliar a eficácia das ações executadas” por “assegurar que a necessária competência foi alcançada”. Isto significa que não basta, por exemplo, aplicar um questionário de avaliação do treinamento ao final dele. A real eficácia será estabelecida apenas por resultados reais sobre o processo ou seja, se a necessidade que motivou o treinamento foi realmente atendida, trazendo melhorias. Vejo como positivo esse esclarecimento, pois o objetivo maior de se investir em um treinamento é esse: obtenção de melhorias onde há uma carência de resultados. Os dois pontos se complementam pois isso permitirá que se dê maior atenção onde há maior necessidade, e não será mais o total de horas de treinamento que determinará o sucesso no atendimento ao requisito 6.2.2, mas as evidências dos resultados obtidos.
8.2.3 – Medição e Monitoramento de Processos
O texto atual causa a impressão de que só é necessário tomar ações quando o indicador de um processo que afeta a conformidade do produto apresenta resultados inadequados. A retirada da parte do texto que foca na conformidade do produto irá melhorar a interpretação, deixando claro que não só os indicadores que afetam a conformidade do produto merecem atenção, mas quaisquer indicadores estabelecidos pela organização. Quando houve a revisão de 2000, os indicadores foram a grande novidade da norma e o mais incompreendido dos conceitos, creio. Muitas organizações criaram inúmeros e ineficazes gráficos pensando que seria assim que atenderiam a versão 2000. A maioria acabou caindo no esquecimento ou sendo atualizados por obrigação. O aumento da importância dada aos indicadores pela nova versão da ISO 9001 (pelo menos eu vejo assim) forçará uma análise mais profunda de quais são os indicadores realmente necessários e dará a estes um status mais relevante na gestão do sistema, pois exige que seus resultados sejam acompanhados e que se evidencie ações não só para aqueles que afetam a conformidade do produto, mas os que demonstram a eficácia do sistema de gestão também.
Não, a norma não está se tornando mais exigente em nenhum dos dois requisitos citados, apenas está tentando deixar claro que caminhos mais adequados (e mais sérios) deverão ser tomados para atendê-los. Isso já deveria ter ocorrido na adequação da ISO 9001:2000, mas a norma nunca apresentou soluções prontas, pois receita de sucesso não existe! Também agora ela não apontará como fazer, mas apenas o que deve ser feito. Cabe a nós, profissionais, gestores e analistas da área encontrarmos soluções práticas, sérias e viáveis para atender esses requisitos. E que essas soluções tornem o SGQ mais ágil, focado e eficaz dentro de nossas organizações.
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