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Archive for Setembro, 2008

Um conto de suspense nerd

29 / Setembro/ 2008 ronaldocgq Deixe um comentário

Sei que isso não tem nada a ver com a temática do Qualiblog, mas depois de ler sobre o G1, o celular do Google, essa (im)possibilidade retratada abaixo não me saiu mais da cabeça… Se não gostarem, prometo que não publico outros!

O Ditador 2.0

Em 2010, um ano após a grande disseminação do G1 e do Android, que se tornara o padrão em sistema operacional para celulares e demais tecnologias móveis, ele era uma criança como outra qualquer. Assim como seus coleguinhas, ganhou seu primeiro celular recheado de recursos, com tela sensível ao toque e Street View, o que permitia que sua mãe monitorasse todo o trajeto que ele fazia quando saia de casa. Foi esse recurso que o deixou intrigado e curioso, queria saber como funcionava. Descobriu que o carro do pai também tinha o mesmo recurso e um dia perguntou:
- E se eu não quiser que saibam onde estou?
O pai riu, olhou para a mãe e brincou – E eu posso saber por que um garotinho desse tamanho se preocupa em andar por aí sem que os pais saibam onde ele está? É só para sua segurança, filho… – o garoto começou a olhar desconfiado para o seu celular. Se ele saia da escola e parava na pracinha para brincar, logo sua mãe ligava. Se ia tomar um sorvete, idem. Uma noite o pai e a mãe discutiam pelo mesmo motivo; ela cobrava dele explicações sobre um desvio do seu caminho normal e que ela havia notado pelo computador que o carro do pai ficara parado por muito tempo numa rua que não era usual.

Novamente ele olhou para o celular, uma caixinha brilhante que já o conhecia bem, pois ao ligar, o sistema lhe cumprimentava com cordialidade e perguntava se queria jogar xadrez com ele, ou com Marco, seu melhor amigo. Quando parava na sorveteria, o celularzinho vibrava e avisava que o sundae de amora, seu preferido, estava em promoção! O que ele queria mesmo era saber como aquele aparelho podia fazer tudo isso! E essa idéia acabou virando uma fixação…

Os anos passaram, ele se formou em Engenharia de TI e seu TCC foi exatamente sobre o Android, que então se tornara um padrão mundial utilizado pelos governos para monitorar de veículos oficiais a funcionários públicos. A maioria dos países adotara o uso de implantes baseados na tecnologia Google, que investira bilhões no desenvolvimento de um nano-chip que era colocado sob o couro cabeludo e incorporava-se ao crânio. Através dele as pessoas podiam fazer mil coisas, desde controlar aparelhos, sistemas de reconhecimento, compras com débito instantâneo em conta corrente… Os computadores reconheciam os usuários por aproximação e era comum você entrar em uma loja e um sensor cumprimentá-lo e ofertar itens das seções que você mais visitava. O trabalho de Conclusão de Curso acabou chamando atenção e ele recebeu um convite para trabalhar lá, no Google. A matriz ficou impressionada com o conhecimento que ele demonstrava sobre o sistema e a cada dia que passava ele descobria mais, e ficava mais comentado nos corredores do Google. Depois fora da empresa, e depois mundialmente, ao participar em um web-seminário sobre a evolução do Android, transmitido diretamente da ONU! Virou celebridade, todo mundo ouvira falar sobre o jovem que conhecia cada detalhe do imenso e complexo sistema que o Android se tornara, e que acabou sendo o idealizador de diversas melhorias hoje impensáveis!

Nessa época, os implantes Google eram inseridos nos bebês logo que nasciam. Desaparecimentos, trocas de bebês e atrocidades envolvendo crianças foram simplesmente varridas da história. Pedofilia virou lenda urbana, um dos símbolos da barbárie do passado. Todas as atividades humanas que envolvessem identificação e rastreamento do indivíduo eram realizadas com a rapidez do onipresente Google, a polícia contava às vezes em milissegundos o tempo de localização de um criminoso. Realmente, a Terra virou um lugar bom para se viver… Haviam exceções, claro! Alguns rebeldes nos países de terceiro mundo se recusavam a usar a tecnologia, mas ficavam limitados a uma espécie de pré-história tecnológica. Não tinham acesso à internet, crédito, escolas de qualidade, emprego… Viviam da boa-vontade dos governos populistas, que os mantinham em reservas naturais, onde podiam manter-se longe do desenvolvimento do mundo real. Quando um ou outro escapavam e entravam nas áreas urbanas, o sistema alertava da presença de indivíduos sem identificação e da queda do nível de segurança que isso representava. Rapidamente eram capturados e segregados. Mas não pensem que isso era uma crueldade! Eles optaram por viver assim e o governo não era inflexível! Quando capturados, recebiam antes da deportação para as áreas de sombra (as reservas, onde o sistema não operava) uma opção de se integrarem. Caso aceitassem, iam para centros de treinamento, recebiam seus implantes e tinham a chance de viver na sociedade civilizada. Para muitos deles esse processo funcionava muito bem, tanto que os rebeldes diminuíam a cada ano!

Com o tempo seu nome se tornou sinônimo de Google. E de sucesso! Ele chegou ao posto máximo dentro da companhia, com 38 anos era o presidente mundial dela. Quando o governo decidiu que precisava ter maior autonomia sobre criminosos internacionais ele foi procurado em sigilo e ouviu impassível a proposta dos emissários. Perguntaram quanto tempo era preciso para que uma tecnologia com determinadas capacidades digamos, mais invasivas, fosse desenvolvida para permitir certo nível de tomada de decisão sobre as ações dessas pessoas.
- O que eu ganho em troca? – disse. Os homens se entreolharam, mostraram para ele uma maleta e ele se pôs a gargalhar. – Dinheiro!? Senhores, dinheiro eu tenho de sobra! Olhem em volta de vocês… Chega a ser ingenuidade proporem isso… – chegou a lacrimejar de tanto rir. Os homens, embaraçados com a situação, fecharam a maleta e saíram da sua sala. Após fecharem a porta, seu semblante mudou. Ficou sério e foi até sua mesa, O computador reconheceu imediatamente a mudança em sua pulsação e antes mesmo que ele desse o comando, abriu uma janela privativa do Chrome. Pediu ao sistema a identidade dos dois visitantes que estiveram em sua sala e digitou rapidamente sobre a superfície polida da mesa alguns comandos nunca antes usados. Tinha chegado a hora!
Imediatamente, aqueles dois sentiram a mudança. Pararam o carro sobre a ponte e abriram a maleta, despejando todo o dinheiro que levavam. A confusão chamou a atenção da imprensa, claro! Eles juraram em rede mundial que fizeram aquilo por livre vontade e declararam que o dinheiro era de origem ilícita, fornecido pelo governo para uma operação de interesse do estado e que por isso decidiram devolvê-lo ao povo. Em segundos a mídia internacional mostrava o escândalo em rede mundial. Os nomes dos protagonistas galgaram o ranking das buscas na internet e até o final do dia ocupavam o primeiro lugar em todas as listas. Como não revelaram qual era a tal operação, os especuladores se agitavam nas discussões sobre o assunto.

Ele assistia tudo isso de sua mesa, numa ampla sala com vista para o por do sol… A janela negra do navegador esperava silenciosa, no canto da tela. Mais uns poucos comandos na superfície sensível da mesa e uma lista dos dirigentes mundiais, sua localização atual, seu poder de influência, dados sobre o perfil de cada um, tudo. Tudo desfilava na janela negra.

No dia seguinte a ONU estava em polvorosa. Durante a noite convocou todos os países membros e uma infinidade de jatinhos atravessou os céus como pássaros migratórios, todos com destino à sede da Organização. Em uma tranqüila seção chegaram à unânime decisão de que o presidente do Google, que tanto bem e tanta evolução trouxe à humanidade, era a pessoa perfeita para assumir o cargo de Presidente Vitalício da Terra.

Autor: Eu

Como verificar a eficácia dos treinamentos?

29 / Setembro/ 2008 ronaldocgq Deixe um comentário

AvatarA avaliação da eficácia dos treinamentos é indiretamente solicitada pela ISO 9001 em seu requisito 6.2.2, alínea “c” (avaliar a eficácia das ações executadas) e alínea “e” (manter registros apropriados de educação, treinamento, habilidade e experiência).

Para atender essa premissa, uma grande parcela de gestores considera que devam ser efetuados treinamentos constantes sobre temas ligados à ISO ou a inovações e mudanças nos processos. Só que muitas vezes esses treinamentos se tornam repetitivos e maçantes, não trazendo mais nenhum benefício para a organização ou as pessoas. Também tem aqueles que acham que é necessário um investimento cada vez maior em cursos, palestras e seminários, pois é importante que o indicador de horas de treinamento aponte cada vez um valor maior ou mantenha-se pelo menos estável. E a cada treinamento, palestra ou curso externo o funcionário tem que preencher um questionário de avaliação a título de registro para a ISO 9001… Os treinamentos e cursos se multiplicam e as esperadas mudanças de comportamento e melhorias ou não ocorrem ou são pífias… Mas os questionários apontam altos índices de eficácia de cada treinamento, com unânime aprovação dos treinandos e dos superiores. E então vemos que o famoso questionário de avaliação nem sempre reflete a realidade, pois passado um tempo o tal excelente treinamento, panacéia para os problemas que existiam, na verdade não surtiu o efeito desejado!

Para ter uma real avaliação de eficácia dos treinamentos é necessário constatar uma real melhoria nas atividades e processos envolvidos. E essa melhoria pode ser observada através das auditorias internas, dos indicadores que possam refleti-la, do desempenho das pessoas que receberam o treinamento.

Faça uma experiência:
Normalmente após cada treinamento as pessoas preenchem uma ficha de avaliação e um questionário baseado no treinamento. Reserve esses papéis e depois de um tempo, por exemplo um mês, peça para que as pessoas preencham novamente a ficha e o questionário e compare-os. Muitas vezes vai observar que simplesmente esqueceram a maior parte do que foi ministrado, o que pode levar às possíveis conclusões:

O treinamento não foi eficaz;
O treinamento não se aplicava às reais necessidades do processo;
O treinamento não trouxe nada de novo que contribuísse com a melhoria do processo.

Não deixe de ler esses dois excelentes artigos sobre o tema eficácia de treinamentos:
Eficácia nos treinamentos empresariais – Arnaldo Simões
Oportunidades de se Verificar a Eficácia do Treinamento – Sérgio Canossa

Brainstorm Virtual – Apresentação

26 / Setembro/ 2008 ronaldocgq Deixe um comentário

Faz um tempo que estou pensando em uma maneira de “sacudir a roseira” por aqui. E resolvi adotar uma técnica (inspirado pelos posts do BIZRevolution com a Pergunta do Dia)  para estimular a interação com os visitantes e incitá-los a pensar sobre questões que envolvam a Gestão da Qualidade, dividir suas experiências com os outros leitores e conhecer soluções aplicadas com sucesso em outras organizações. Vamos todos botar a cachola para funcionar e debater os temas sugeridos aqui!

Como em qualquer Brainstorm que se preza, vale tudo para participar, menos perder o foco! Uma questão por semana será apresentada neste espaço e podem comentar à vontade. Se quiserem mostrar algo relacionado ao assunto podem enviar por e-mail para qualiblog@gmail.com que eu posto com os créditos a vocês!

Vamos começar?

Brainstorm Virtual

25 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 12 comentários

O tema da semana é: COMO DIVULGAR DE FORMA CRIATIVA A POLÍTICA DA QUALIDADE?

Não esqueça de deixar nos comentários sua idéia, sugestão ou exemplo! PARTICIPE!!!

Até logo, SuperDicasss

24 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 2 comentários

A Jaqueline Amorim decidiu dar uma pausa nas atividades do SuperDicasss (saiba detalhes clicando aqui), mas antes de interromper a frequência dos posts de seu blog ela fez uma série excelente de artigos para fechar com chave de ouro essa fase. Como se não bastasse, ela demonstrou seu enorme carisma com a blogosfera através de um post de despedida (temporária, esperamos) e aproveitou para indicar alguns dos seus blogs parceiros esse selo. Eu tive a sorte de ser um dos indicados, mas pelo que pude constatar da Jaqueline, na verdade ela o repassaria para todos que conquistou como amigos virtuais.

Clique no selo para ler o restante dessa nota no final da página Tão Falando…

Convidado de Hoje – Marcelo de Souza Bastos

19 / Setembro/ 2008 ronaldocgq Deixe um comentário

Nada melhor que analisar diversos pontos de vista para ampliar nossos horizontes ou para enriquecer e complementar o que conhecemos. Sem isso somos presas fáceis aos paradigmas de nossa formação profissional, criando uma barreira irreal porém intransponível para nós mesmos. É com base neste raciocínio que tenho procurado trazer com mais frequência a opinião de outros profissionais, preferencialmente blogueiros também. Hoje trago um texto do Marcelo de Souza Bastos, PMP (Project Management Professional) pelo PMI (Project Management Institute) desde 2003, com MBA em Planejamento e Gestão Empresarial pela Universidade Católica de Brasília. Ele é autor do Blog do Marcelão, um dos indicados na minha Blogroll. Gosto muito dos textos dele, acompanho seu blog a algum tempo e lhe pedi para autorizar a publicação de um deles aqui. Para minha alegria e desespero, ele me disse para ficar à vontade e replicar o que eu quisesse de seu blog. Alegria porque poderia escolher à vontade, e desespero pela dificuldade em escolher um texto entre tantos outros excelentes!

Um dos conceitos mais caros à Gestão da Qualidade é o da Melhoria Contínua, que na minha opinião não deve ser considerado apenas nos processos, mas ser extendido às pessoas, em especial aos gestores. Uma das formas mais claras de exercer a Melhoria Contínua é a INOVAÇÃO, palavra muito dita atualmente e conceito sinônimo ao de Melhoria, e como este, pouco ou mal aplicado. Mas porquê?

O Marcelão discorre no artigo abaixo sobre um grande motivo que provoca essa apatia da Inovação (ou da Melhoria Contínua, como prefira):

Medo – Barreira para Inovação

Pessoal,
este post é baseado em um tópico criado por mim na comunidade “Q3 – No munda excelência” (clique aqui para acessar a comunidade) sobre uma das barreiras que considero empecilhos para sermos inovadores que é o medo. Medo de errarmos, medo de encarar os obstáculos mais como desafios do que como empecilhos,

Medo de ousar e fazer diferente.

Vale lembrar que a inovação é o instrumento de trabalho do empreendedor e o empreendedor é aquele sujeito que não tem medo de arriscar e que aprendo com os erros, além de estar sempre desafiando o status quo. Para isso ele demonstra muita CORAGEM.

Mas o medo de inovar pode ser apenas uma consequência e as causas podem ser outras como, por exemplo, cultura de punir erros. Como disse o filósofo Mario Sergio Cortella, erro é para ser corrigido e não para ser punido. Deve-se punir a negligência, a desatenção e o descuido e não o medo. Thomas Edison inventou a lâmpada elétrica após 1.430 experiências sem sucesso. Ele aprendeu que o fracasso não acontece quando se erra, mas quando se desiste face ao erro, o que nos leva a concluir que não se aprende com os erros, mas sim com a correção dos erros.

Algumas pessoas podem dizer que falta iniciativa aos colaboradores da empresa, mas não se pode cobrar iniciativa de um colaborador sem que que haja um trabalho de comunicação por parte do gestor em apontar qual a direção que a empresa quer ter esclarecendo a missão e a visão da empresa estabelecido no planejamento estratégico, pois corre-se o risco de os colaboradores tomarem iniciativas no sentido errado, desalinhados com a estratégia da empresa.

Outras pessoas argumentam que os colaboradores desejam continuar na sua zona de conforto, mas o que eles querem na verdade é aumentar essa zona de conforto. Ocorre que para aumentar essa zona de conforto, eles precisam de um ambiente que permita a eles experimentar novos procedimentos, novas formas de realizar seu trabalho buscando a melhoria contínua e o papel do lider nesse contexto é muito importante. Para aumentar a zona de conforto é necessário aumentar a zona de esforço, é necessária uma ATITUDE EMPREENDEDORA.

A falta desse ambiente de experimentação faz com que as pessoas tenham medo de serem melhores do que são, com medo de serem cobrados sempre pelo algo mais. Volta e meia eu escuto “Nossa, você faz palestras tão boas” e eu respondo que ela também pode fazer, mas ela se sente acanhada.

Alguém pode concluir a partir desse post que não devemos ter medo. Não é isso. O medo é um importante mecanismo da sobrevivência humana, pois o medo faz com que você se prepare melhor para enfrentar os desafios. No último filme da série “Rocky”, o lutador de boxe criado por Sylvester Stallone, Rocky já é um lutador aposentado que cuida de um restaurante, mas que devido a algumas circunstâncias da história é desafiado a enfrentar o campeão do momento, lutador muito mais novo que ele. Tem uma cena em que Rocky pergunta a esse lutador se ele tem medo da luta e o lutador diz que não e vira-se para ir embora. Nesse momento, Rocky diz ao filho que ele está mais confiante para a luta porque quem não tem medo não se prepara devidamente.

Na verdade, o problema não está no medo, mas sim na nossa atitude de paralisia diante do medo, na acomodação de mantermos as coisas como estão “Porque aqui sempre foi assim”. Então, podemos concluir é que a maioria dos nossos medos são criados por nós mesmos e cabe a nós nos prepararmos cada vez mais para aumentar nossa zona de conforto e enfrentá-los.

Não podemos esperar pelo vento para mover nossos barcos, temos que criá-lo.

O medo, a paralisia e a acomodação, são o freio de mão da Inovação.

Um abraço e “Keep the Faith”.

Palmas para o Marcelão, minha gente!!!

Leia este mesmo artigo na fonte (compensa, lá tem diversos links que não copiei)

Leia também: Inovação é só em produto?

A tartaruga do Processo

19 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 3 comentários

Uma das atividades que receberam ênfase com a ISO 9001:2000 foi a de Mapeamento de Processos. Para quem não conhece ainda, trata-se de um levantamento de tudo o que é necessário para a realização de qualquer processo, mas tudo mesmo! Só que ao invés de fazer apenas uma lista, distribuímos essas informações de maneira ordenada em um formulário para descrever o processo de uma forma panorâmica, digamos. O Fluxograma simples de Processo é uma das opções mais básicas de Mapeamento, pois inclui ENTRADAS, CONTROLES, RECURSOS, EXECUÇÃO e SAÍDAS. Já falei sobre ele aqui, mas existe um modelo consagrado de Fluxograma de Processo chamado Tartaruga. É isso mesmo! Não perguntem porquê ele tem esse nome, ainda não consegui descobrir. Mas acho que é porque a cabeça, as patas e a cauda da bichinha entram no casco… Numa analogia, o casco seria o Processo em si (fase de EXECUÇÃO). Por esse ser um modelo de mapeamento já muito conhecido não o inclui no e-book, e acho que foi um erro. Para corrigir isso, criei um formulário auto explicativo. Baixe aqui esse formulário. Quem adquirir o e-book daqui para frente receberá mais esse formulário entre os vários brindes do livro.

Exclusões na ISO 9001

17 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 3 comentários

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A ISO 9001 se propõe a ser adequada a qualquer tipo de organização, independente do tamanho, ramo de atuação, produto ou serviço. Isto está declarado no item 1.2 – Aplicação, onde também é comentada a possibilidade de exclusão de requisitos da norma para se adequar a tipos de organização onde eles não se apliquem.

Muita gente considera que a ISO 9001:2000 permite a exclusão apenas de requisitos do capítulo 7, mas isso não é verdade. Outros requisitos também podem ser excluídos, porém sem que a conformidade com a ISO 9001 possa ser declarada. Esse é o ponto importante da questão! Se a organização quer apenas se adequar à ISO 9001 e considera que algum requisito não se aplica ao seu caso, tudo bem! Porém, se o(s) requisito(s) excluído(s) for de quaisquer outros capítulos que não o 7, ela não poderá obter o certificado de conformidade com a ISO 9001:2000!

Agora, se o(s) requisito(s) que ela deseja excluir faz(em) parte apenas do capítulo 7, a coisa muda… Ela ainda poderá receber o certificado! Mas engana-se quem acha que obter a certificação excluindo requisitos do capítulo 7 pode ser mais fácil. Nos casos com exclusão, o processo é examinado com muito mais critério para que a certificadora possa ter certeza de que realmente aquele(s) requisito(s) não se aplica(m) à organização. Isto porque os requisitos excluídos do capítulo 7 não podem comprometer a capacidade ou responsabilidade da organização de fornecer produtos que atendam aos requisitos do cliente e/ou legais. E precisam constar, com a justificativa aprovada pela certificadora, no Manual da Qualidade e em todo material de divulgação que se refira à ISO.

Requisitos mais prováveis de exclusão (*) e causas:

De acordo com o guia oficial da ISO, os requisitos abaixo são os mais prováveis (embora não os únicos) que podem ser considerados como exclusão do SGQ:

7.3 “Projeto e desenvolvimento”
– Nos casos em que a organização não é responsável pelo projeto e desenvolvimento dos produtos que fornece. A aplicação deste requisito não é obrigatória para o projeto e desenvolvimento dos processos necessários ao sistema de gestão da qualidade, (que está contemplado no requisito 7.1), mas pode ser útil para a organização gerenciar o desenvolvimento dos seus processos.

7.5.2 “Validação dos processos de produção e fornecimento de serviço”
– Nos casos em que não existam processos de produção e de fornecimento de serviço em que a saída resultante não possa ser verificada por posterior monitoramento ou medição nas suas diferentes fases ou antes da prestação do serviço ao cliente. A exclusão deste requisito deve ser objeto de reflexão quanto a serviços de informação/apoio a clientes, eventualmente existentes, em que a informação uma vez transmitida já não possa ser corrigida sem impacto junto ao cliente, devendo a função ser exercida por pessoal qualificado para tanto.

7.5.3 “Identificação e rastreabilidade”
– Este requisito seria apenas parcialmente aplicável nos casos em que não existe requisito de rastreabilidade específico para os produtos da organização.

7.5.4 “Propriedade do cliente”
– Nos casos em que a organização não utiliza a propriedade do cliente no seu produto ou processos de realização do produto. Atenção para o caso em que o cliente fornece uma especificação do produto, isso pode constituir propriedade legal e deve ser coberta, neste âmbito, pelo SGQ da organização.

7.6 “Controle dos dispositivos de medição e monitoramento”
– Nos casos em que a organização não necessita de dispositivos de medição e monitoramento para fornecer evidência da conformidade do seu produto. Pode ser o caso para algumas organizações de prestação de serviços, entre outras.

Estes exemplos são apenas ilustrativos. Em qualquer das situações a organização deve avaliar no contexto específico das suas atividades quais os requisitos do capítulo 7 são passíveis de exclusão, tendo em conta que esta exclusão apenas é justificável por não aplicabilidade.

(*) Adaptado do Guia APCER

Convidado de Hoje – Jefferson Matsuo

14 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 3 comentários

De vez em quando eu coloco o Qualiblog em “modo Oprah” e convido um blogueiro de quem eu goste de ler os artigos para “sentar no sofá” e discorrer sobre um tema proposto. Ou peço autorização para reproduzir um artigo dele, já publicado em seu blog ou outros canais. Dessa vez o Convidado de Hoje é o Jefferson Matsuo do blog BrokenJeff e lhe pedi um texto sobre a relação entre Gestão da Qualidade e Gestão de Projetos. Formado em Desenho Industrial com habilitação em Projeto de Produto pela UNESP, pós graduado em Qualidade e Produtividade pela Fundação Vanzolini – USP, cursando MBA em Gestão Estratégica de Projetos na FIC, Jefferson atuou na área de qualidade em diversos segmentos como indústrias moveleiras, transportes, eletro-eletrônico e metal-mecânico, tanto na implantação de controle de qualidade como em sistemas de gestão da qualidade. Também atuou como Gerente de Projetos, estando à frente de equipes multifuncionais para o desenvolvimento de novos produtos. Este pequeno perfil fala por si, mostrando que ele é um excelente conhecedor do assunto, concordam?

Os quadrinhos que acompanham os textos dele são sua marca pessoal, onde com bom humor e irreverência ele reflete o assunto tratado em cada artigo que publica. Aproveitem agora o texto do Jefferson, e visitem seu blog para lerem outros ótimos artigos!

Gestão da Qualidade x Gestão de Projetos


As empresas que visam à satisfação do cliente e conseqüentemente produtos e serviços de qualidade, aderem à norma ISO 9001, visando melhorias em seus processos através da conformidade dos requisitos desta norma. Seguindo assim uma implantação de todos os pontos descritos, isto quando aplicável à organização, principalmente através de diretrizes, porém não descreve “como” deve ser implantado cada requisito, ficando a critério dos gestores definirem qual a melhor maneira de aplicar. Isto gera para muitos, que são incumbidos da missão de implantar ou manter o sistema de gestão, as dúvidas práticas para atender as conformidades, necessitando assim da contratação de consultores ou “ajuda dos universitários com modelos prontos”.

Diferente de uma norma que demonstra requisitos, o PMBoK (Project Management Body of Knowledge) para gestão de projetos visa demonstrar as melhores práticas. Diferente da certificação da gestão da qualidade, quem se certifica é o profissional e não a empresa. Que para conseguir a certificação deve comprovar horas em projetos aplicando as melhores práticas do PMBoK, além de ter um curso preparatório e passar numa prova. Como é descrito o que deve ser feito, o que difere na maioria das vezes é apenas a formatação, pois o modelo já é definido.

Apesar do PMBoK ser muito aceito pelos profissionais de Tecnologia da Informação (TI), sua origem assim como as normas de gestão da qualidade, foram em empresas de engenharia e manufatura. Ambos os documentos baseiam seus tópicos no ciclo PDCA, modelo criado por Shewhart.

A ISO 9001 demonstra uma visão bem generalista sobre a gestão de projetos no seu item 7.3 – Projeto e Desenvolvimento, que apenas empresas que desenvolvem produtos e serviços novos consideram aplicável, não sendo um requisito prioritário para muitas empresas, que na maioria das vezes demonstram grande dificuldade em implantar o sistema de gestão nas áreas de engenharia e desenvolvimento.

Do mesmo modo o PMBoK tem em uma de suas áreas de conhecimento, a Qualidade, porém sua visão é mais voltada ao controle ou garantia de qualidade do que propriamente a gestão. Sendo assim, algumas vezes por falta de conhecimento aprofundado em gestão da qualidade ou por falta de prioridade, a qualidade muitas vezes é sacrificada para que possa manter as outras áreas sob controle.

Mas numa visão mais ampla, assim como é definido no PMBoK: “Um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. Sendo assim, toda ação exclusiva deveria ser considerado um projeto e por sua vez ter um sistema de gestão.

Esta união é amplamente vista na estratégia Six Sigma, na qual para a resolução de problemas, sejam por ações corretivas ou preventivas, são considerados projetos e utilizam as boas práticas da gestão de projetos, além do embasamento na estatística.

Enfim, tanto para profissionais da qualidade quanto de projetos, quanto maior for a compreensão dos profissionais da qualidade sobre projetos e dos de projeto sobre a gestão da qualidade, melhores serão os resultados tanto na implementação do requisito 7.3 quanto a aplicação da área de conhecimento de qualidade do PMBoK.

Se quiser ver participações de outros autores, clique em Autores Convidados no quadro Macro-Fluxo da barra lateral.

Reflexão (ou desabafo) sobre transferência do conhecimento

12 / Setembro/ 2008 ronaldocgq 1 comentário

Estou lendo a edição especial de Veja – 40 anos, comemorativa da revista por seu aniversário de lançamento que ocorreu em 1968 (o meu também). Ela faz uma retrospectiva gigante destacando acontecimentos de lá até a atualidade, uma revista para guardar e que merecia uma capa dura. Mas o assunto em questão não é o aniversário da Veja, mas o artigo de Eduardo Giannetti, composto de citações sobre educação (página 214). Refletindo, observei como foi acertada a escolha do autor, mostrando através das palavras de diversas personalidades a importância desse tema no desenvolvimento de um país. O que me assombrou, foi a época de origem das palavras: vai de 1803 a 2000! E é espantoso como soam atuais!!! Dois exemplos:

“Temos despendido somas imensas com os pobres. E temos todas as razões para crer que essa prática tende a agravar constantemente sua miséria. Mas, na sua educação, que é talvez o único modo ao nosso alcance de realmente melhorar sua condição, e de torná-los homens mais felizes e cidadãos mais pacíficos, temos sido miseravelmente deficientes.”Thomas Malthus, economista inglês, em 1803.

“A verdade é que o ensino público (no Brasil) está à orla do limite possível a uma nação que se presume livre e civilizada… / …é que a instrução secundária oferece ao ensino superior uma mocidade cada vez menos preparada para o receber.”Ruy Barbosa, político brasileiro, em 1883.

Para muitas das pessoas que escrevem um blog acredito que uma das intenções é transferir o que sabem para outras pessoas, uma mágica potencializada pela internet de uma forma que a humanidade nunca conheceu! Mas boa parte da população ainda não tem acesso a essa ferramenta e muitos dos que têm, não utilizam todo o seu potencial exatamente pelos motivos descritos nas citações acima, e que foram ditos lá no século XIX!!! Dá para ter uma idéia da gravidade de uma situação que tem sido paulatinamente ignorada pelos governos por décadas a fio? Se em 1883 Ruy Barbosa já alertava sobre a qualidade do ensino no país e suas palavras poderiam ter sido ditas hoje, o que devemos pensar?

Qual a qualidade intelectual que podemos esperar das gerações futuras, e até dessa mesma que vive no momento atual, a nossa juventude? Uma nação soberana e respeitada jamais será constituída por uma massa de pessoas cultural e intelectualmente ignorantes, isso não dá para contestar, mas parece que é intencional: a cada geração, as pessoas detêm menos conhecimento e recebem um ensino pior. Alguém aí já recebeu um comunicado da escola do filho, com erros de português? Eu já! Se quem ensina não estiver capacitado, qual será o impacto disso na formação intelectual do povo? O conhecimento não exercitado ou valorizado degrada, é perecível! Com todo o imenso acervo de informação disponível na internet, o que é mais procurado, avanços nas pesquisas científicas ou fofocas sobre o casamento da atriz global?

Olha só a lista de mais buscados do Yahoo agora, 12/09/2008 – 14:33:

1. Juliana Paes
2. Big Brother Brasil 9
3. Lindsay Lohan
4. Sérgio Mallandro
5. Horóscopo
6. Resumo de Novelas
7. Mulher Melancia
8. Deborah Secco
9. Carolina Dieckman
10. Jogos Online

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